Margaret acordou mais cedo do que o habitual na sexta-feira de manhã. Hoje era o seu último dia no hospital onde tinha trabalhado durante trinta e cinco anos. Sentou-se na beira da cama e olhou para o uniforme pendurado na porta do armário. Iria vesti-lo pela última vez hoje. Margaret tinha começado como jovem enfermeira quando tinha apenas vinte e três anos. Ao longo dos anos, tinha cuidado de milhares de pacientes. Lembrava-se do primeiro bebé que tinha ajudado a nascer. Aquela menina era agora médica e trabalhava no mesmo hospital. Margaret sorriu ao pensar nisso e vestiu-se lentamente. O seu marido David já estava na cozinha a fazer café. 'Estás nervosa por causa de hoje?' perguntou ele quando ela entrou na sala. 'Um pouco,' admitiu Margaret, sentando-se à mesa. 'Trabalhei lá toda a minha vida adulta.' David entregou-lhe uma chávena de café e apertou-lhe o ombro suavemente. 'Tocaste tantas vidas,' disse ele baixinho. Margaret foi de carro para o hospital pela última vez. O mesmo percurso que tinha feito milhares de vezes parecia diferente hoje. Reparou no velho carvalho perto do estacionamento que tinha visto crescer ao longo das décadas. Quando entrou pela entrada, o segurança sorriu abertamente. 'Feliz reforma, Margaret!' disse ele calorosamente. Agradeceu-lhe e continuou para o seu departamento no terceiro andar. As portas do elevador abriram-se e vários colegas esperavam para a cumprimentar. 'Surpresa!' gritaram juntos, segurando balões e flores. Margaret sentiu as lágrimas a formar-se nos olhos. Não esperava uma receção tão calorosa no seu último dia. A sua supervisora Sarah abraçou-a com força. 'Temos um dia inteiro de celebrações planeado para ti,' anunciou Sarah. Mas primeiro, Margaret tinha alguns últimos pacientes para ver. Entrou no quarto 302 onde o idoso Sr. Thompson recuperava de uma cirurgia. 'Bom dia, como se sente hoje?' perguntou ela com a sua habitual voz suave. O Sr. Thompson segurou-lhe a mão com fraqueza. 'Ouvi dizer que é o seu último dia,' disse ele suavemente. 'O hospital não será o mesmo sem si.' Margaret deu-lhe palmadinhas na mão de forma reconfortante. 'Está em excelentes mãos com as jovens enfermeiras aqui,' disse-lhe ela. Verificou os seus sinais vitais e fez anotações na sua ficha. Tudo parecia bem, e ele teria alta em breve. Margaret continuou as suas rondas, visitando cada paciente com o mesmo cuidado de sempre. Por volta do meio-dia, Sarah reuniu todos na sala de conferências. Um grande bolo com 'Feliz reforma Margaret' foi colocado na mesa. Médicos, enfermeiros e membros do pessoal encheram a sala. Alguns deles Margaret tinha-os ela própria formado quando eram principiantes. Sarah ficou à frente da sala e levantou o seu copo. 'Gostaria de dizer algumas palavras sobre a nossa querida colega,' começou ela. 'Margaret tem sido o coração deste departamento durante três décadas e meia.' Todos aplaudiram e festejaram. Sarah continuou com histórias sobre a dedicação e a bondade de Margaret ao longo dos anos. Depois o Dr. Chen, o diretor do hospital, avançou com uma placa. 'Esta placa será pendurada no corredor principal,' anunciou ele. 'Diz: Em honra de Margaret Wilson, que dedicou a sua vida a cuidar dos outros.' Margaret já não conseguia conter as lágrimas. Levantou-se e abraçou o Dr. Chen com gratidão. 'Não sei o que dizer,' admitiu ela, limpando os olhos. 'Este hospital tem sido a minha segunda casa durante tantos anos.' Depois dos discursos, todos desfrutaram do bolo e partilharam memórias. Uma jovem enfermeira chamada Emma aproximou-se timidamente de Margaret. 'Queria agradecer-lhe pessoalmente,' disse Emma nervosamente. 'Quando comecei aqui no ano passado, estava tão assustada e insegura.' 'Tomou-me sob a sua proteção e ensinou-me tudo.' Margaret sorriu calorosamente para a jovem. 'Tens o dom da compaixão, Emma,' disse ela suavemente. 'Isso é algo que não se pode ensinar nos livros.' À tarde, Margaret voltou à enfermaria para se despedir de mais pacientes. Uma mulher no quarto 310 agarrou-lhe o braço quando ela estava a sair. 'Espere, é a enfermeira que ajudou a dar à luz o meu filho há trinta anos?' perguntou ela. Margaret olhou cuidadosamente para o rosto da mulher. 'Sra. Rodriguez!' exclamou ela, lembrando-se de repente. 'O seu filho nasceu durante aquela terrível tempestade de neve!' A Sra. Rodriguez acenou com a cabeça com lágrimas nos olhos. 'Manteve-me calma quando estava tão assustada,' disse ela. 'O meu filho agora é bombeiro, salvando vidas tal como a senhora fez.' Estes momentos lembravam a Margaret porque tinha escolhido esta profissão. Às cinco horas, Sarah encontrou Margaret sentada sozinha na sala de descanso. 'Está quase na hora,' disse Sarah suavemente, sentando-se ao lado dela. Margaret acenou lentamente com a cabeça, olhando à volta da sala familiar. 'Lembro-me de quando esta sala era muito mais pequena,' disse ela com uma pequena risada. Juntas caminharam até à entrada principal onde David esperava com flores. O segurança e vários outros membros do pessoal tinham-se reunido para se despedir. Margaret abraçou cada pessoa, tentando lembrar-se de cada rosto. 'Estás pronta para ir para casa?' perguntou David, pegando na sua mão. Margaret deu uma última olhada ao edifício que conhecia há tanto tempo. As janelas brilhavam calorosamente na luz da noite. 'Sim,' disse ela finalmente, 'estou pronta.' No caminho para casa, Margaret ficou calada durante muito tempo. David não a pressionou para falar, sabendo que ela precisava de tempo para processar. Quando chegaram a casa, a filha e os netos esperavam na varanda. 'Avó!' gritaram as crianças, correndo na sua direção de braços abertos. Margaret baixou-se e abraçou-os com força. Naquele momento, percebeu que a reforma não era um fim. Era o início de um novo capítulo na sua vida. A sua filha Lisa tinha preparado um jantar especial para a família. A mesa de jantar estava decorada com velas e flores frescas. 'Estamos tão orgulhosos de ti, mãe,' disse Lisa durante o jantar. 'Ajudaste tantas pessoas ao longo da tua carreira.' Margaret olhou à volta da mesa para a sua família. O seu coração estava cheio de amor e gratidão. 'Talvez me tenha reformado do meu trabalho,' disse ela pensativamente. 'Mas nunca me vou reformar de ser avó.' Os netos riram e abraçaram-na novamente. Margaret sabia que os melhores anos da sua vida ainda estavam por vir.

Portuguese Story (B1)O dia da reforma
Esta história B1 em Português é projetada para intermediário que estão aprendendo Português. Inclui vocabulário simples e frases curtas para ajudá-lo a melhorar suas habilidades de leitura e audição. Clique em qualquer palavra para ver traduções e ouvir a pronúncia.
About this story
Margaret, uma enfermeira dedicada, vive o seu último dia no hospital após trinta e cinco anos de serviço. Recebe despedidas calorosas de colegas e pacientes, incluindo uma placa em honra da sua carreira. Em casa, rodeada pela família, percebe que a reforma não é um fim, mas o início de um novo capítulo na sua vida.
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Comprehension Questions
4 questions
1
Há quanto tempo Margaret trabalhava no hospital?
2
Quem estava esperando no elevador para cumprimentar Margaret com uma surpresa?
3
O que o Dr. Chen apresentou a Margaret na festa?
4
Pelo que a jovem enfermeira Emma agradeceu a Margaret?
Vocabulary
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