Holmes passou o dia a tentar encontrar o homem de barba negra. Visitou as redações dos jornais e as empresas de carruagens. Mas cada pista acabou em deceção. 'Três fios partidos,' disse Holmes nessa noite. 'A carta de aviso, a bota roubada e o espião barbudo.' 'Ainda não consigo ligá-los.' No dia seguinte, Sir Henry relatou outro roubo. 'Desta vez levaram uma bota velha!' disse ele com raiva. 'E devolveram a nova que roubaram antes.' Os olhos de Holmes iluminaram-se de interesse. 'Uma bota velha em vez de uma nova,' murmurou ele. 'Isso é muito significativo.' 'O que significa?' perguntei. 'Ainda não estou pronto para dizer,' respondeu Holmes. Nessa tarde, almoçámos com Sir Henry e o Dr. Mortimer. Discutimos a viagem para Devonshire. 'Watson, deve enviar-me relatórios regulares,' disse Holmes. 'Anote tudo o que observar, por mais pequeno que seja.' 'Quero saber sobre todos os que estão perto de Baskerville Hall.' 'Farei o meu melhor,' prometi. 'Não deixe Sir Henry ir a lado nenhum sozinho,' acrescentou Holmes. 'Especialmente não na charneca à noite.' 'Acredita mesmo que o cão existe?' perguntou Sir Henry. 'Acredito que há um perigo real,' disse Holmes seriamente. 'Se é sobrenatural ou não, ainda não posso dizer.' 'Mas alguém quer fazer-lhe mal.' Depois do almoço, despedimo-nos de Holmes na estação de comboios. 'Lembre-se, Watson, não confie em ninguém,' sussurrou-me ele. 'Mantenha o seu revólver sempre pronto.' A viagem de comboio demorou várias horas. À medida que viajávamos para oeste, a paisagem mudava. Os campos verdes deram lugar a colinas castanhas e afloramentos rochosos. Finalmente, chegámos a uma pequena estação. Uma carruagem esperava para nos levar a Baskerville Hall. O cocheiro era um homem local de aspeto rude. 'Bem-vindos a Dartmoor,' disse ele sombriamente. Subimos para a carruagem e partimos através da charneca. A terra era selvagem e vazia, com poucas árvores. Rochas cinzentas erguiam-se do chão como monumentos antigos. Um vento frio soprava sobre a paisagem aberta. De repente, passámos por dois soldados de pé junto à estrada. Seguravam espingardas e observavam a nossa carruagem atentamente. 'O que está a acontecer aqui?' perguntou Sir Henry. 'Um prisioneiro fugiu da Prisão de Princetown,' disse o cocheiro. 'Anda à solta na charneca há três dias.' 'Chama-se Selden, e é um assassino perigoso.' O Dr. Mortimer acenou gravemente. 'Ouvi falar disto antes de sairmos de Londres.' 'Todo o campo está com medo.' 'Um assassino fugido é a menor das nossas preocupações,' disse Sir Henry. Não pude deixar de concordar com ele. Tínhamos coisas muito mais estranhas com que nos preocupar. Quando o sol começou a pôr-se, vimos um edifício escuro à nossa frente. 'Ali está Baskerville Hall,' disse o cocheiro. Era uma grande casa antiga com torres gémeas. A hera cobria as suas paredes, e sombras enchiam as suas janelas. Parecia solitária e um pouco assustadora. Sir Henry ficou a olhar para a sua nova casa em silêncio. 'É aqui que os meus antepassados viveram e morreram,' disse ele baixinho. 'Pergunto-me o que me espera aqui.'
B1Chapter 5 / 15496 words60 sentences
Três fios partidos
Chapter 5 · O Cão dos Baskervilles · B1 Portuguese. Tip: Click on any word while reading to see its translation. Take your time with each chapter and review the vocabulary before moving on.
Chapter Summary
Holmes investiga, mas suas pistas esfriam. Ele decide enviar Watson com Sir Henry para Devonshire.
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Comprehension Questions
4 questions
1
Por que é que Holmes decidiu enviar Watson a Dartmoor em vez de ir ele próprio?
2
Que instruções deu Holmes a Watson para a sua estadia em Baskerville Hall?
3
Qual foi a primeira impressão de Watson sobre Dartmoor?
4