Sir Henry e eu esperávamos em silêncio no corredor escuro. O velho relógio bateu a meia-noite. Ouvimos passos suaves a vir pelo corredor. Uma sombra passou, carregando uma vela. Era Barrymore, tal como eu esperava. Dirigiu-se ao mesmo quarto de antes. Seguimo-lo em silêncio. Através da porta, podíamos vê-lo à janela. Ergueu a vela e moveu-a de um lado para o outro. 'O que está a fazer, Barrymore?' exigiu saber Sir Henry. O mordomo virou-se bruscamente, em choque. A vela quase caiu da sua mão trémula. 'Sir Henry! Eu estava apenas... a verificar as janelas,' gaguejou ele. 'Não me minta,' disse Sir Henry com firmeza. 'Quem está lá fora na charneca?' O rosto de Barrymore ficou branco. 'Não lhe posso dizer, senhor,' disse ele miseravelmente. 'Não é segredo meu para revelar.' Nesse momento, a Sra. Barrymore apareceu à porta. Estava a chorar e a torcer as mãos. 'Por favor, não culpe o meu marido,' suplicou ela. 'Ele está apenas a tentar ajudar o meu irmão.' 'O seu irmão?' perguntei surpreendido. 'Sim,' soluçou ela. 'O presidiário fugitivo, Selden, é o meu irmão mais novo.' Sir Henry e eu trocámos olhares chocados. 'Ele foi um bom rapaz em tempos,' continuou a Sra. Barrymore. 'Mas juntou-se a más companhias e fez coisas terríveis.' 'Fugiu da prisão e veio para cá pedir ajuda.' 'Não o podíamos rejeitar.' 'Temos-lhe dado comida e roupa,' acrescentou Barrymore. 'O sinal indica-lhe quando é seguro vir buscar mantimentos.' Sir Henry ficou em silêncio por um momento. 'Compreendo porque o ajudaram,' disse ele finalmente. 'Mas ele é perigoso e não pode ficar na charneca.' 'Ele prometeu partir,' disse a Sra. Barrymore. 'Um navio está à espera para o levar para a América do Sul.' 'Ele só precisa de mais alguns dias.' Olhei para a charneca. Uma pequena luz ainda cintilava ao longe. 'Watson, vamos atrás dele,' disse Sir Henry de repente. 'Devemos capturar este presidiário nós próprios.' Concordei, embora estivesse preocupado com o perigo. Agarrámos nos nossos casacos e no meu revólver. Depois saímos para a noite fria. A charneca estava escura e assustadora sob o céu nublado. Caminhámos na direção de onde tínhamos visto a luz. Mas o terreno era irregular e tropeçávamos frequentemente. De repente, ouvimos um som terrível. Um uivo longo e grave ecoou pela charneca. Parecia vir de todo o lado ao mesmo tempo. 'O que raio foi aquilo?' sussurrou Sir Henry. 'Parecia um cão,' disse eu, com o coração a bater forte. Ficámos imóveis, a escutar. O uivo soou de novo, mais perto desta vez. 'Devíamos voltar,' insisti. 'Isto é demasiado perigoso no escuro.' Relutantemente, Sir Henry concordou. Apressámo-nos de volta a Baskerville Hall. Aquele uivo terrível seguiu-nos durante todo o caminho até casa.
B1Chapter 9 / 15449 words60 sentences
A luz sobre a charneca
Chapter 9 · O Cão dos Baskervilles · B1 Portuguese. Tip: Click on any word while reading to see its translation. Take your time with each chapter and review the vocabulary before moving on.
Chapter Summary
Watson descobre que o mordomo Barrymore faz sinais para alguém na charneca à noite.
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Comprehension Questions
4 questions
1
Quem era a figura misteriosa que Watson viu na charneca à noite?
2
Por que é que Holmes tinha vindo secretamente a Dartmoor?
3
Que evento trágico interrompeu a conversa de Holmes e Watson?
4