Meu nome é Robinson Crusoe, e nasci no ano de 1632 na cidade de York, Inglaterra. Meu pai era um comerciante da Alemanha que havia se estabelecido na Inglaterra muitos anos antes. Eu era o mais novo de três filhos, e meus pais tinham grandes esperanças para o meu futuro. Meu pai queria que eu estudasse direito e me tornasse um cavalheiro respeitável. Ele sonhava em me ver como juiz ou advogado com uma vida confortável. Mas eu tinha outros sonhos que enchiam minha cabeça dia e noite. Desde meus primeiros anos, não conseguia pensar em nada além do mar. Passava horas no porto, observando os grandes navios irem e virem. Os marinheiros me contavam histórias de terras distantes e aventuras perigosas. Eu ouvia com admiração histórias de tempestades, piratas e ilhas inexploradas. Essas histórias capturavam minha imaginação e não me deixavam descansar. Meu coração ardia com o desejo de ver o mundo por mim mesmo. Quando eu tinha dezoito anos, contei ao meu pai sobre meus desejos. 'Pai,' eu disse, 'quero ir para o mar e me tornar um marinheiro.' Seu rosto ficou pálido, e vi o medo em seus olhos. 'Meu filho,' ele disse, 'você não deve pensar em tais coisas.' Ele me lembrou que meu irmão mais velho havia morrido em uma guerra longe de casa. Meu outro irmão havia saído de casa anos atrás, e nunca mais soubemos dele. 'Você é o único filho que me resta,' disse meu pai com lágrimas nos olhos. 'O mar está cheio de perigos que você não pode imaginar.' Ele falou de terríveis tempestades que podiam destruir qualquer navio. Ele me contou sobre piratas que não mostravam piedade às suas vítimas. Ele descreveu doenças que matavam marinheiros longe de qualquer médico. 'Fique aqui em York,' ele me implorou, 'e viva uma vida segura e feliz.' Minha mãe também tentou mudar minha mente com suas palavras gentis. 'Pense em seus pobres pais,' ela disse, 'que te amam mais do que tudo.' Ela prometeu falar com meu pai para me encontrar uma boa posição nos negócios. Mas nada do que diziam podia remover o anseio do meu coração. Continuei sonhando com o mar todas as noites. Em meus sonhos, navegava por águas azuis infinitas sob céus limpos. Descobria ilhas cobertas de palmeiras e praias douradas. Encontrava tesouros que me tornavam rico além da imaginação. Por quase um ano, fiquei em casa, mas não estava satisfeito. Frequentemente discutia com meus pais sobre meu futuro. Um dia, meu pai me chamou ao seu escritório para uma conversa séria. Ele me fez sentar e me olhou com grande preocupação. 'Robinson,' ele disse, 'quero te dar alguns conselhos sobre a vida.' 'A condição média da vida é a melhor posição para qualquer homem.' Ele explicou que os ricos têm muitas preocupações e inimigos. Os pobres sofrem de fome e frio todos os dias de suas vidas. Mas os do meio desfrutam de paz, conforto e prazeres simples. 'A aventura parece emocionante,' disse meu pai, 'mas só traz miséria.' 'Prometa-me que ficará aqui e estará satisfeito com o que tem.' Eu ouvi suas palavras, e elas me tocaram profundamente. Por alguns dias, realmente considerei seguir seu conselho. Talvez ele estivesse certo, e o mar só me traria sofrimento. Mas logo, meus velhos desejos voltaram mais fortes do que nunca. Decidi que tinha que ir para o mar, custasse o que custasse. Em setembro de 1651, fui visitar um amigo na cidade portuária de Hull. Seu pai era o capitão de um navio que navegava para Londres. Meu amigo me convidou para acompanhá-los na viagem. 'Não vai te custar nada,' ele disse, 'e será uma grande aventura.' Sem dizer nada aos meus pais nem pedir sua bênção, aceitei. Nem sequer escrevi uma carta para explicar minha decisão. No primeiro dia de setembro, subi a bordo do navio. Meu coração estava cheio de emoção enquanto olhava para o mar aberto. Eu não tinha ideia de que esse momento mudaria minha vida para sempre. Eu não conhecia os perigos e as dificuldades que me esperavam. Eu não podia imaginar que todos os avisos do meu pai se tornariam realidade. Mas naquela manhã ensolarada, sentia apenas alegria e esperança. Enquanto o navio deixava o porto, observei a terra ficar menor. Não pensava na minha mãe, que choraria quando descobrisse que eu tinha partido. Não pensava no meu pai, cujo coração eu havia partido. Pensava apenas na aventura que me esperava. O vento encheu as velas, e o navio se moveu rapidamente sobre a água. Fiquei no convés e respirei profundamente o ar salgado. Naquele momento, acreditava ser o jovem mais feliz da Inglaterra. Meu sonho tão esperado havia finalmente começado. Eu não sabia que os problemas estavam a apenas horas de distância. Mas por enquanto, eu era livre, e o mundo inteiro se estendia diante de mim.
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O Andarilho
Chapter 1 · Robinson Crusoé · B1 Portuguese. Tip: Click on any word while reading to see its translation. Take your time with each chapter and review the vocabulary before moving on.
Chapter Summary
O jovem Robinson Crusoé sonha com o mar apesar dos avisos de seu pai.
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Comprehension Questions
4 questions
1
Onde nasceu Robinson Crusoe?
2
Que profissão o pai de Robinson queria que ele seguisse?
3
Por que o pai de Robinson implorou para que ele não fosse para o mar?
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