O fantasma aproximou-se lenta e silenciosamente de Scrooge. Estava envolvido numa veste negra profunda que escondia o seu rosto e corpo. Apenas uma mão era visível, estendida e apontando. 'Estou na presença do Fantasma do Natal Vindouro?' disse Scrooge. O espírito não respondeu, apenas apontou em frente. 'Estás prestes a mostrar-me sombras de coisas que ainda não aconteceram,' disse Scrooge. 'É assim, espírito?' O fantasma não deu resposta. 'Fantasma do Futuro!' gritou Scrooge. 'Temo-te mais do que qualquer espírito que já vi.' 'Mas sei que queres fazer-me bem. Guia-me!' Encontraram-se no coração da cidade, entre os comerciantes. Um grupo de homens de negócios conversava. 'Não, não sei muito sobre isso,' disse um homem. 'Só sei que está morto.' 'Quando é que ele morreu?' perguntou outro. 'Ontem à noite, creio.' 'O que é que ele fez com o dinheiro dele?' perguntou um homem de rosto vermelho. 'Não ouvi nada,' disse o primeiro homem com um bocejo. 'Provavelmente será um funeral muito barato,' disse outro. 'Não conheço ninguém que fosse.' 'Eu vou se houver almoço!' disse o homem de rosto vermelho, e todos riram. Scrooge conhecia estes homens mas não entendia de quem estavam a falar. O espírito levou-o a uma parte escura da cidade que nunca tinha visto antes. As ruas estavam sujas, as lojas estavam arruinadas, e as pessoas eram feias. Entraram numa velha loja cheia de ferro, ossos e trapos sujos. Um velho estava sentado entre as suas mercadorias, fumando um cachimbo. Entraram três pessoas: uma lavadeira, uma mulher da limpeza e um homem da funerária. 'Deixem a mulher da limpeza ir primeiro!' disse a lavadeira. 'Que o homem da funerária vá em segundo, e eu em terceiro.' A mulher da limpeza atirou a sua trouxa ao chão. 'Olhem para estas cortinas de cama!' disse ela. 'Tiraste-as enquanto ele estava ali deitado morto?' perguntou o velho. 'Sim!' riu ela. 'Porquê não? Ele não ia usá-las.' A lavadeira mostrou a sua trouxa de lençóis e toalhas. O homem da funerária tinha tirado a camisa do próprio cadáver. 'Ele afugentou toda a gente enquanto viveu,' disse a mulher da limpeza. 'Então agora que ele está morto, lucramos com isso!' 'Espírito!' gritou Scrooge, tremendo da cabeça aos pés. 'Compreendo. O destino deste homem infeliz poderia ser o meu.' 'Mas se houver alguma pessoa que sinta emoção por esta morte, mostra-me!' O fantasma abriu o seu manto escuro como uma asa. Quando baixou o manto, estavam num quarto. Uma mãe estava sentada com os seus filhos, esperando ansiosamente. O marido dela entrou, parecendo cansado e triste, mas também estranhamente aliviado. 'São boas ou más notícias?' perguntou ela. 'Ele está morto,' disse o homem. O rosto da mulher mostrou alívio, depois vergonha. Eles deviam dinheiro a este homem e tinham temido a sua crueldade. Agora teriam tempo para pagar a quem assumisse a dívida. 'Espírito,' disse Scrooge, 'mostra-me alguma ternura ligada à morte.' O fantasma levou-o à casa de Bob Cratchit. Estava muito silencioso lá dentro. As crianças estavam sentadas quietas, e ninguém falava. A Sra. Cratchit estava a costurar junto à lareira. 'A cor magoa-me os olhos,' disse ela, pousando o trabalho. 'Não queria que o vosso pai os visse fracos quando chegasse a casa.' 'Ele está atrasado esta noite,' disse uma das crianças suavemente. 'Ele tem caminhado mais devagar nestas últimas noites,' disse a Sra. Cratchit. Ouviu-se uma batida na porta. Bob entrou e sentou-se junto à lareira. 'Fui ao cemitério hoje,' disse ele. 'É um lugar tão bonito e verde. Vocês vão vê-lo muitas vezes. Prometi-lhe que o faria.' A voz dele quebrou-se, e ele começou a chorar. 'O meu menino!' chorou Bob. 'O meu menino!' As crianças reuniram-se à volta do pai, tentando consolá-lo. Scrooge olhou à volta à procura do Pequeno Tim mas não conseguiu encontrá-lo. 'Espírito,' disse Scrooge com o coração pesado, 'diz-me quem era aquele homem morto.' O fantasma apontou para longe da cidade em direção a um cemitério. O espírito ficou entre as campas e apontou para uma. 'Antes de olhar para aquela pedra, responde-me a uma pergunta,' disse Scrooge. 'São estas sombras de coisas que serão, ou de coisas que poderão ser?' O fantasma continuava a apontar para a campa. Scrooge aproximou-se rastejando, tremendo enquanto avançava. Leu na pedra o seu próprio nome: EBENEZER SCROOGE. 'Sou eu aquele homem que jazia na cama?' gritou Scrooge, caindo de joelhos. O dedo apontou da campa para ele, e de volta. 'Não, espírito! Oh não, não!' 'Espírito!' gritou Scrooge, agarrando-se ao seu manto. 'Ouve-me!' 'Já não sou o homem que era!' 'Porquê mostrar-me isto se já não tenho esperança?' 'Bom espírito, honrarei o Natal no meu coração e tentarei mantê-lo durante todo o ano.' 'Viverei no passado, no presente e no futuro.' 'Não esquecerei as lições que os espíritos me ensinaram.' 'Diz-me que posso mudar estas sombras!' Na sua luta, Scrooge segurou a mão do fantasma. Mas o espírito soltou-se e encolheu-se. O fantasma foi ficando cada vez mais pequeno. Transformou-se num poste de cama. E o poste de cama era o seu.
B1Chapter 4 / 5835 words87 sentences
Estrofe quatro: O último dos espíritos
Chapter 4 · Um Conto de Natal · B1 Portuguese. Tip: Click on any word while reading to see its translation. Take your time with each chapter and review the vocabulary before moving on.
Chapter Summary
O Espírito do Natal Futuro mostra a Scrooge um futuro sombrio onde ele morre sozinho e sem ser pranteado, com seus pertences roubados e vendidos. O mais devastador é que Scrooge vê que o Pequeno Tim também morreu, deixando a família Cratchit com o coração partido.
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Comprehension Questions
4 questions
1
Como apareceu o Espírito do Natal Futuro?
2
De que falavam os homens de negócios no futuro?
3
O que viu Scrooge na lápide do cemitério?
4