Estávamos de pé junto ao corpo despedaçado de Selden na escuridão. 'Não podemos deixá-lo aqui,' disse eu. 'Não, mas também não o podemos mover agora,' respondeu Holmes. 'Enviaremos pessoas amanhã para recuperar o corpo.' Depois vi uma figura a aproximar-se de nós através da charneca. A minha mão foi para o revólver. 'Boa noite, cavalheiros,' disse uma voz familiar. Era Stapleton, carregando uma lanterna. 'Ouvi gritos e vim investigar,' disse ele. Os seus olhos caíram sobre o corpo, e ele arfou. 'Santo Deus! Quem é este? É... Sir Henry?' Observei o seu rosto cuidadosamente à luz da lanterna. Era desilusão o que eu via nos seus olhos? 'Não, é o presidiário fugitivo,' disse Holmes calmamente. A expressão de Stapleton mudou para alívio. 'Selden! Mas essas roupas pertencem a Sir Henry!' 'Sir Henry deu-as aos seus criados,' expliquei. 'Eles devem tê-las passado a Selden.' 'Que estranho,' disse Stapleton. 'E o que o traz à charneca, Sr. Holmes?' Eu não tinha apresentado Holmes. Como é que Stapleton sabia quem ele era? Holmes sorriu friamente. 'Vim ver o Watson e visitar o nosso cliente.' 'Infelizmente, tenho de regressar a Londres amanhã.' 'Amanhã?' disse Stapleton ansiosamente. 'Sim, o meu trabalho aqui está concluído,' mentiu Holmes. Stapleton pareceu satisfeito com esta notícia. 'Por favor, venham jantar a minha casa antes de partirem.' 'Tenho a certeza de que Sir Henry apreciaria a companhia.' 'É muito amável,' disse Holmes. 'Certamente iremos.' Stapleton desejou-nos boa noite e afastou-se. Quando ele se foi, Holmes virou-se para mim. 'Esse é o nosso homem, Watson.' 'Stapleton? O naturalista?' Fiquei chocado. 'Ele não é o que parece,' disse Holmes. 'Descobri que ele é na verdade um Baskerville.' 'Um primo distante que herdaria se Sir Henry morresse.' 'Meu Deus!' exclamei. 'E a mulher a quem chama sua irmã é na verdade sua esposa.' Agora compreendia os avisos da Srta. Stapleton. Ela sabia que o seu marido era um assassino. 'Ele mantém um enorme cão escondido no Pântano de Grimpen.' 'Usou-o para assustar Sir Charles até à morte.' 'E agora planeia fazer o mesmo a Sir Henry.' 'Por isso roubou a bota,' percebi. 'Para dar ao cão o cheiro de Sir Henry.' 'Exatamente,' disse Holmes. 'Mas provar tudo isto será difícil.' 'Temos de o apanhar em flagrante.' 'Por isso aceitaremos o seu convite para jantar.' 'Pretende usar Sir Henry como isco?' perguntei preocupado. 'É a única forma de apanhar Stapleton.' 'Estaremos por perto para proteger Sir Henry.' Caminhámos juntos de volta a Baskerville Hall. Sir Henry ficou aliviado por nos ver a salvo. Contámos-lhe sobre a morte de Selden. 'O pobre Barrymore terá de contar à sua esposa,' disse Sir Henry tristemente. Holmes não disse nada, mas os seus olhos já estavam a planear o nosso próximo passo.
B1Chapter 12 / 15454 words60 sentences
Morte na charneca
Chapter 12 · O Cão dos Baskervilles · B1 Portuguese. Tip: Click on any word while reading to see its translation. Take your time with each chapter and review the vocabulary before moving on.
Chapter Summary
Um grito na noite leva a uma descoberta trágica, e Holmes revela suas suspeitas sobre o assassino.
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Comprehension Questions
4 questions
1
Que comportamento suspeito Watson notou de Stapleton no local da morte?
2
Que verdade chocante revelou Holmes sobre a identidade de Stapleton?
3
Onde Stapleton mantinha o cão?
4