O senhor Sherlock Holmes estava sentado à mesa do pequeno-almoço numa manhã. Normalmente acordava tarde, mas hoje estava acordado cedo. Estava junto à lareira e peguei numa bengala. Um visitante tinha-a deixado na noite anterior. Era um bastão grosso de madeira com uma faixa de prata perto do topo. As palavras 'Para James Mortimer, dos seus amigos do C.C.H.' estavam gravadas na faixa. 'Bem, Watson, o que pensa disto?' perguntou Holmes. Ele não se tinha virado, mas sabia exatamente o que eu estava a fazer. 'Como sabia o que eu estava a olhar?' perguntei surpreso. 'Tenho olhos na nuca,' disse Holmes, rindo. 'Na verdade, posso ver o seu reflexo na cafeteira de prata.' 'Diga-me, o que pensa da bengala do nosso visitante?' Examinei a bengala mais cuidadosamente. 'Penso que o Dr. Mortimer é um médico idoso bem-sucedido,' disse. 'É muito querido, já que amigos lhe deram este presente.' 'C.C.H. provavelmente significa um hospital ou clube de caça,' acrescentei. Holmes estendeu a mão para a bengala. 'Muito bem, Watson!' disse ele com genuíno prazer. 'As suas deduções estão maioritariamente erradas, mas ajudou-me muito.' 'Erradas?' Senti-me desapontado. 'Tinha razão em algumas coisas,' disse Holmes amavelmente. 'É certamente um médico, e amigos deram-lhe este presente.' 'Mas penso que é um jovem médico rural, não um médico idoso da cidade.' 'Como pode saber isso?' perguntei. 'Olhe para a bengala com atenção,' disse Holmes. 'A faixa de prata diz que o presente foi dado há cinco anos.' 'C.C.H. significa Charing Cross Hospital em Londres.' 'Só um médico jovem deixaria um prestigiado hospital de Londres.' 'Um médico mais velho e bem-sucedido ficaria na cidade.' 'Porque deixaria ele Londres então?' perguntei-me. 'Talvez se tenha casado e quisesse uma vida mais tranquila,' sugeriu Holmes. 'E há marcas de dentes nesta bengala.' 'São demasiado grandes para um cão pequeno, mas demasiado pequenas para um grande.' 'Diria que é um spaniel de pelo encaracolado.' Ri-me desta conclusão impossível. 'Não pode saber isso pelas marcas de dentes!' 'Veremos,' disse Holmes, olhando pela janela. 'Aí vem alguém agora, e traz um spaniel de pelo encaracolado!' Corri para a janela espantado. De facto, um homem caminhava em direção à nossa porta com um pequeno spaniel. Um momento depois, bateram à nossa porta. 'Entre,' disse Holmes. Um homem alto e magro entrou na sala. Tinha um nariz comprido e olhos cinzentos atrás de óculos dourados. A sua roupa era adequada mas um pouco gasta. 'Dr. Mortimer, presumo?' disse Holmes. 'Sim, Sr. Holmes, e tenho muito prazer em conhecê-lo,' respondeu o visitante. 'Creio que esqueceu a sua bengala ontem à noite.' 'Sim, estava com pressa para apanhar o meu comboio,' disse o Dr. Mortimer. 'Não quereria perder essa bengala por nada.' 'Foi um presente de alguns amigos do hospital,' explicou. 'Do Charing Cross Hospital?' perguntou Holmes inocentemente. O Dr. Mortimer pareceu surpreso. 'Sim, está correto! Como sabia?' 'Por favor, sente-se e diga-me como posso ajudá-lo,' disse Holmes. O Dr. Mortimer sentou-se na cadeira junto à lareira. 'Sr. Holmes, tenho um problema muito sério,' começou. 'Um dos problemas mais estranhos alguma vez apresentados a um detetive.' Holmes inclinou-se para a frente com interesse. 'Estou a ouvir atentamente, Dr. Mortimer.'
B1Chapter 1 / 15523 words60 sentences
Sr. Sherlock Holmes
Chapter 1 · O Cão dos Baskervilles · B1 Portuguese. Tip: Click on any word while reading to see its translation. Take your time with each chapter and review the vocabulary before moving on.
Chapter Summary
O Dr. Watson examina uma misteriosa bengala deixada por um visitante, enquanto Holmes demonstra seus métodos dedutivos.
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Comprehension Questions
4 questions
1
Como é que Holmes sabia detalhes sobre o visitante antes de o conhecer?
2
O que tinha de especial o manuscrito que o Dr. Mortimer trouxe?
3
Sobre o que era a lenda de Hugo Baskerville?
4