Marley estava morto, para começar. Não havia dúvida alguma sobre isso. O velho Marley estava morto há sete anos. Seu sócio, Ebenezer Scrooge, havia assinado o atestado de óbito pessoalmente. Scrooge era um homem frio e duro que amava apenas uma coisa: dinheiro. Era duro como pedra e afiado como uma faca. O frio dentro dele congelava seu velho rosto e deixava seus olhos vermelhos. Nenhum calor podia aquecê-lo, e nenhum inverno podia gelá-lo mais do que já estava. Ninguém jamais o parava na rua para cumprimentá-lo. Até os cães dos cegos pareciam conhecê-lo e puxavam seus donos para longe. Mas Scrooge não se importava. Ele gostava de ficar sozinho e manter todos afastados. Era véspera de Natal, e Scrooge estava ocupado em seu escritório. Lá fora, o tempo estava frio e nebuloso. As pessoas andavam rapidamente pelas ruas escuras, tentando se manter aquecidas. A porta do escritório de Scrooge estava aberta para que ele pudesse vigiar seu funcionário, Bob Cratchit. Bob estava sentado em um canto pequeno e escuro, copiando cartas à mão. Scrooge tinha uma pequena lareira, mas a de Bob era tão menor que parecia apenas um pedaço de carvão. Bob não podia colocar mais carvão porque Scrooge guardava a caixa de carvão em sua própria sala. Então Bob tentou se aquecer com a vela, mas isso não ajudou muito. 'Feliz Natal, tio! Deus o abençoe!' exclamou uma voz alegre. Era o sobrinho de Scrooge, Fred, que tinha vindo visitá-lo. Seu rosto estava vermelho do frio, e seus olhos brilhavam de felicidade. 'Bah!' disse Scrooge. 'Bobagem!' 'Natal uma bobagem, tio?' disse Fred. 'O senhor não está falando sério, tenho certeza.' 'Estou sim,' disse Scrooge. 'Que razão você tem para estar feliz? Você é bem pobre.' 'Que razão o senhor tem para estar triste?' respondeu Fred. 'O senhor é bem rico.' Scrooge não conseguiu pensar em nada melhor para dizer, então disse 'Bah!' novamente, seguido de 'Bobagem!' 'Não fique zangado, tio,' disse Fred. 'Venha jantar conosco amanhã.' 'Por que você se casou?' perguntou Scrooge. 'Porque me apaixonei,' respondeu Fred. 'Amor!' disse Scrooge com desgosto. 'Boa tarde!' 'Não quero nada do senhor,' disse Fred. 'Por que não podemos ser amigos?' 'Boa tarde,' disse Scrooge friamente. 'Feliz Natal, tio,' disse Fred, e saiu do escritório com um sorriso. Quando Fred saiu, dois cavalheiros entraram. Eles estavam arrecadando dinheiro para os pobres. 'Nesta época festiva do ano,' disse um deles, 'devemos ajudar aqueles que sofrem.' 'Não existem prisões?' perguntou Scrooge. 'Não existem asilos para os pobres?' 'Muitos preferem morrer a ir para esses lugares,' disse o cavalheiro. 'Se preferem morrer, então que morram,' disse Scrooge, 'e diminuam a população excedente.' Os dois cavalheiros saíram, chocados com suas palavras. Finalmente, era hora de fechar o escritório. 'Suponho que vai querer o dia todo de folga amanhã?' disse Scrooge a Bob. 'Se for conveniente, senhor,' disse Bob. 'Não é conveniente,' disse Scrooge, 'e não é justo. Mas suponho que você precisa do dia todo.' 'E chegue ainda mais cedo na manhã seguinte!' Bob prometeu que viria e saiu rapidamente para aproveitar a véspera de Natal com sua família. Scrooge jantou sozinho em sua taberna escura de sempre. Depois foi para casa, para seus aposentos frios e vazios. Tinham pertencido ao seu falecido sócio, Marley. O prédio era velho e escuro, e esta noite parecia mais escuro do que de costume. Quando Scrooge colocou a chave na porta, olhou para a aldrava. Era apenas uma aldrava comum, mas de repente ela mudou. Scrooge viu o rosto de Marley na aldrava, brilhando com uma luz fantasmagórica. Não estava com raiva, mas olhava para Scrooge com seus óculos fantasmagóricos empurrados para a testa. Então voltou a ser uma aldrava. Scrooge se assustou, mas disse 'Bobagem!' e entrou. Ele subiu as escadas escuras até seus aposentos. Ele olhou cuidadosamente ao redor, mas tudo parecia normal. Scrooge se trancou e sentou-se junto à sua pequena lareira. De repente, um velho sino no quarto começou a tocar. Então todos os sinos da casa começaram a tocar. Os sinos pararam, e então veio um barulho de correntes lá de baixo. Parecia correntes sendo arrastadas pelo chão. O barulho se aproximava cada vez mais, subindo as escadas, direto para sua porta. 'Ainda é bobagem!' disse Scrooge, mas sua voz tremeu. A porta se abriu com um estrondo, e um fantasma passou por ela. Era o fantasma de Marley, envolto em pesadas correntes. As correntes eram feitas de cofres, chaves, cadeados, livros-razão e pesadas bolsas de aço. Scrooge podia ver através do corpo do fantasma. 'Quem é você?' perguntou Scrooge. 'Pergunte-me quem eu fui,' respondeu o fantasma. 'Quem você foi, então?' disse Scrooge. 'Em vida, eu fui seu sócio, Jacob Marley.' 'Você pode se sentar?' perguntou Scrooge, olhando para ele com dúvida. 'Posso,' disse o fantasma, e sentou-se numa cadeira em frente a Scrooge. 'Você não acredita em mim,' disse o fantasma. 'Não acredito,' disse Scrooge. 'Você pode ser um pedaço de carne mal digerida ou um pedaço de queijo estragado.' Diante disso, o fantasma soltou um grito aterrador e sacudiu suas correntes. Scrooge caiu de joelhos de terror. 'Piedade!' ele gritou. 'Por que você me atormenta?' 'Eu carrego a corrente que fiz em vida,' respondeu o fantasma. 'Eu a fiz elo por elo, metro por metro, através de anos de ganância.' 'Você sabe o peso da corrente que carrega?' perguntou o fantasma. 'Ela era tão pesada quanto esta há sete anos, e você tem trabalhado nela desde então.' Scrooge tremeu e olhou para o chão, esperando ver correntes ao seu redor. 'Mas você sempre foi um bom homem de negócios, Jacob,' disse Scrooge fracamente. 'Negócios!' gritou o fantasma, torcendo as mãos. 'A humanidade era meu negócio! Caridade, misericórdia e bondade eram meu negócio!' 'Estou aqui esta noite para avisá-lo,' disse o fantasma. 'Você tem uma chance de escapar do meu destino.' 'Você será visitado por três espíritos,' disse o fantasma de Marley. 'É essa a chance que você mencionou?' perguntou Scrooge. 'Acho que prefiro não.' 'Sem as visitas deles, você não pode esperar evitar meu caminho,' disse o fantasma. 'Espere o primeiro quando o sino bater uma hora.' O fantasma andou para trás em direção à janela, que se abriu sozinha. Enquanto ele passava, Scrooge ouviu muitas vozes chorando no ar da noite. Ele olhou para fora e viu centenas de fantasmas, todos usando correntes como Marley. Eles choravam porque não podiam mais ajudar os vivos. Scrooge fechou a janela e foi direto para a cama. Ele adormeceu instantaneamente, exausto e com medo do que estava por vir.
B1Chapter 1 / 51087 words103 sentences
Estrofe um: O fantasma de Marley
Chapter 1 · Um Conto de Natal · B1 Portuguese. Tip: Click on any word while reading to see its translation. Take your time with each chapter and review the vocabulary before moving on.
Chapter Summary
Conhecemos Ebenezer Scrooge, um homem frio e avarento que odeia o Natal. Na véspera de Natal, ele recebe a visita do fantasma de seu falecido sócio Jacob Marley, que o avisa que três espíritos virão ajudá-lo a mudar.
1 / 103
🇵🇹Português→🇬🇧English
Linked wordUnderlined wordOther words
Comprehension Questions
4 questions
1
Há quanto tempo Jacob Marley estava morto quando a história começa?
2
Quem visitou Scrooge no seu escritório na véspera de Natal?
3
O que usava o fantasma de Marley que representava os seus pecados?
4